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ANTES DA PRISÃO

Exílio, Lepra e Guerra: A Ilha Antes de Mandela

Muito antes de ser a prisão de segurança máxima, Robben Island foi um lugar de exílio, uma colónia de leprosos e uma fortaleza de guerra. Um guia para o seu passado mais profundo e complexo.

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Ilha das Focas na Baía da Mesa

Robben Island deve o seu nome à palavra neerlandesa para focas, os animais que outrora povoavam as suas margens, e a sua história como lugar à parte começa muito antes da prisão do século XX. Situada a cerca de 12 quilómetros da baía da Table, baixa e exposta ao vento, nunca foi confortavelmente habitável — exatamente por isso gerações de autoridades lhe encontraram utilidade. Os navios de passagem levavam focas, pinguins e ovos; os primeiros colonos neerlandeses extraíam pedra e pastoreavam ovelhas. Desde o início, o papel da ilha foi definido pelo seu isolamento: perto o suficiente da Cidade do Cabo para abastecer e controlar, longe o bastante para manter pessoas indesejadas e problemas fora da vista. Essa única qualidade moldou tudo o que se seguiu ao longo de quatro séculos.

Um lugar de exílio

A partir do século XVII, a ilha tornou-se prisão e lugar de exílio sob sucessivas potências coloniais. Entre os primeiros detidos políticos, segundo muitos relatos, estava Autshumao, um líder Khoikhoi ali banido na década de 1650 — por vezes descrito como a primeira pessoa aprisionada em Robben Island. Nos séculos seguintes, acolheu líderes indígenas, realeza exilada e rebeldes de toda a região e além, incluindo figuras trazidas das possessões holandesas no Oriente. No início do século XIX, o profeta e guerreiro Xhosa conhecido como Makhanda foi aqui encarcerado e ter-se-á afogado ao tentar escapar; um dos ferries modernos ostenta o seu nome. Esta longa história de banimento dos vencidos e dos desafiadores é antepassada direta do uso posterior da ilha como prisão do apartheid.

A colónia de leprosos e os doentes

Em meados do século XIX, o propósito da ilha passou a ser o confinamento de outro tipo. A partir da década de 1840, serviu para isolar pessoas que a colónia queria afastar da sociedade — incluindo doentes com lepra, doentes crónicos e pessoas consideradas mentalmente instáveis. Durante décadas, funcionou como leprosário, e homens, mulheres e crianças diagnosticados com lepra eram ali enviados, em muitos casos para o resto da vida. O cemitério sombrio e a pequena igreja que se avistam no passeio pela ilha datam desta época. É um capítulo sóbrio do passado da ilha, fácil de ignorar ao lado da história de Mandela, mas pertence ao mesmo padrão duradouro: a ilha como lugar para onde se enviava quem o continente queria esquecer.

A Igreja do Bom Pastor

Um dos vestígios mais comoventes dos anos da lepra é a pequena igreja de pedra na ilha, construída na década de 1890 para servir a comunidade de leprosos e geralmente atribuída ao célebre arquiteto do Cabo, Herbert Baker. Modesta e desgastada pelo tempo, ergue-se como uma rara nota de ternura numa paisagem marcada pelo confinamento — um lembrete de que pessoas viveram, rezaram e morreram aqui muito antes de chegarem os famosos prisioneiros. O passeio pela ilha normalmente passa por ela no circuito de autocarro, e merece um momento de atenção. Contra o vento e o mar, a pequena igreja humaniza silenciosamente um capítulo da história da ilha que não teve heróis políticos, apenas pessoas comuns separadas das suas famílias pela doença e pelos medos do seu tempo.

Fortaleza em duas guerras mundiais

A posição estratégica da ilha, que guarda as aproximações à Table Bay, tornou-a valiosa em tempo de guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, em particular, foi fortificada como estação de defesa costeira, com baterias de canhões, postos de observação e edifícios de apoio instalados para ajudar a proteger a vital rota marítima em torno do Cabo da Boa Esperança. Pessoal foi ali destacado e, durante algum tempo, a ilha assumiu o caráter de uma pequena guarnição militar, em vez de um lugar de exílio. Plataformas de betão para canhões e outros vestígios militares deste período ainda permanecem e são assinalados durante a visita. Acrescentam mais uma camada à identidade da ilha — exílio, doença e agora guerra — e ajudam a explicar por que razão o local parece uma acumulação de toda a difícil história da África do Sul, em vez de um monumento de propósito único.

Descobrir as camadas da sua visita

Conhecer este passado mais profundo muda a forma como se sente o passeio pela ilha. O circuito de autocarro que antecede a visita à prisão percorre os vestígios físicos de cada época — o cemitério e a igreja dos anos da lepra, as baterias de guerra, as pedreiras — de modo que a prisão de segurança máxima surge como o capítulo mais recente de uma história muito longa, e não como a história toda. Os guias variam na profundidade com que abordam esta história anterior, pelo que vale a pena chegar já com esse conhecimento. Unidas, estas vertentes formam um ponto único com uma força invulgar: durante mais de três séculos, Robben Island foi o destino para onde sucessivos poderes enviaram aqueles que queriam afastar. Que a mesma ilha seja hoje um monumento à liberdade é a ironia mais profunda — e o significado mais profundo — de uma visita.

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